O fumacê de Temer
A mídia – o novo velho jeito de se referir à imprensa – cobre, com uma seriedade quase senil, os últimos lances da mãe de todas as reformas, a que tira direitos dos velhos, mesmo que até o tapete verde do Congresso saiba que nada será votado este ano. E dificilmente será bandeira de um novo governo, que não quer começar levando bengaladas.
Não por algum escrúpulo, mas por já não interessar à base gulosa – novo jeito de chamar a velha fisiologia – que já mira as urnas de outubro. Em sua mensagem ao Congresso, nossa versão chinfrim do “State of the Union”, Michel Temer afirmou que “consertar” a Previdência Social é a “tarefa urgente” do momento.
Ele devia ter guardado essa frase lapidar para o auditório do Silvio Santos. Ali receberia aplausos e, quem sabe, uns aviõezinhos de dinheiro. Seria impossível resistir a tamanha sacada, ainda mais dita com o carisma que lhe é peculiar.
É o “State of the Unicorn” de Michel Temer, o mundo encantado em que vive o presidente. Lágrimas devem ter vertido de seus olhos quando escrevia a cartinha ao Congresso, entre talagadas do melhor uísque do Planalto, no cowboy preparado por Eliseu Padilha.
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